05 Aug

Gifs, Jifs e sua importância nas artes visuais

Vamos lá, como surgiu, quem inventou e o que é isso?

O formato Gif foi criado em 1987 pelo engenheiro Steve Wilhite da Compuserve – um provedor de internet americano, e significa Graphics Interchange Format, Graphics, com som de G e não J, mas já chegamos lá. Como estamos falando de 1987, vocês devem tentar imaginar que não existiam muitos outros formatos de imagens, a extensão JPG só foi lançada em 1992, então o Gif marcou um grande avanço em relação aos outros formatos. O modo de compressão de imagem dos Gifs permitia que os arquivos ficassem muito menores permitindo mais facilidade de download e upload através dos modens discados, isso, modens discados, estamos em 1987 ainda lembra? Vale lembrar que elas são limitadas a uma paleta de apenas 256 cores.

Aí você pensa, poxa que legal, essas gifs animadas existem desde 87, não, elas eram estáticas, o formato não suportava animações e isso iria durar até 1989 quando uma nova versão foi lançada. Foi adicionado o recurso de comprimir várias imagens em sequência, criando as gifs animadas. A habilidade de ter áreas transparentes também só surgiu em 89. Tudo legal, tudo bacana, porém ainda tínhamos um problema, essas gifs rodavam apenas uma vez e paravam, elas não ficavam “loopando”, e ficaram assim até 1995, quando a Netscape implementou no seu navegador, o Netscape 2.0, um código nas gifs que diziam quantas vezes elas ficariam tocando, uma, duas ou infinitamente.

E foi basicamente em 1995 que as gifs nasceram da forma como as conhecemos hoje, animadas.

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Netscape 2.0, lindão né?

Dos primeiros usos até um meio de expressão de artes visuais.

Como mencionamos, no início as gifs surgiram como alternativa a formatos mais pesados para imagens estáticas e conforme as gifs animadas surgiam muitas pessoas, muitas mesmo, usavam banners, imagens piscando e outras gifs clássicas nas suas páginas de internet e “sítios” – lá pelos anos 90 teve um movimento querendo abrasileirar a internet e bastante gente falava “sítios” de internet quando se referiam a um portal, felizmente não colou por muito tempo.
Todo mundo lembra das gifs “Em construção” por exemplo.

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Um clássico.

Com a evolução da tecnologia e o aumento das velocidades de conexão, as gifs perderam espaço para formatos mais complexos e até mesmo para os vídeos, que começavam a surgir online.

Foi a partir do meio dos anos 2000, impulsionado pelo lançamento de comunidades como o Tumblr em 2007, que essa cultura da Gif começou a ganhar força, primeiro com pequenos trechos extraídos de filmes, seriados e convencionalmente chamados de “gifs de reação”, essas gifs normalmente acompanhados de pequenas legendas servem para ilustrar um sentimento. O Tumblr, “Como eu me sinto quando” é o melhor exemplo brasileiro desse tipo de gifs. Recentemente não é difícil achar marcas que usem essas gifs em mídias sociais para comunicar-se com os seus clientes, @Saraiva, estamos falando com vocês. Elas são rápidas, divertidas e facilmente nos chamam a atenção.

Esqueceu o canudo!!!

As gifs resistiram a algumas tecnologias e seguem mostrando as suas qualidades, como ilustrar o funcionamento de máquinas por exemplo, dificilmente exista uma forma mais direta, rápida e prática de ilustrar algum movimento mecânico e repetitivo do que com uma gif, elas são perfeitas pra isso.

Funcionamento de uma máquina de costurar

Outra forma de expressão através de gifs, e essa que nos interessa mais, são as artes visuais, a animação, fotografia e as artes experimentais. Recentemente o The Washington Post fez uma matéria sobre artistas que estão transformando o “fazer gifs” em carreiras, inclusive na área da publicidade. Várias marcas já perceberam que fazer gifs personalizadas é uma maneira muito efetiva de atingir o seu público através das mídias sociais. Projetos como o Cinemagraph são um exemplo fantástico de como as gifs podem ser usadas para dar personalidade e vida a fotografias que estáticas já seriam lindas.

Atualmente não é difícil encontrar comunidade voltadas a arte experimental em forma de gifs, uma das melhores na nossa opinião é essa – Gif Artists Collective , inclusive as gifs ganharam espaço de destaque no “Museum of the moving image” no Queens em NY.

Um dos segredos do sucesso da comunicação das gifs, pode ser a nossa necessidade cada vez maior de comunicação rápida e direta, e as gifs entregam isso, normalmente são trechos curtos de cenas ou animações que comunicam diretamente os sentimentos ou mensagens.

Somos grandes fãs de gifs aqui no Estúdio Makako e achamos que elas são uma excelente forma, ainda pouco explorada, de complementar as campanhas publicitárias nas mídias sociais. No nosso Tumblr, o MikoDoodle, vocês podem encontrar algumas gifs que fizemos como parte de um projeto de gifs semanais além de algumas outras.

Gif do nosso Mikodoodle 😉


Sobre Gifs com som de “Gui” ou Jifs com som de “Ji”

Ambos são aceitos pela gramática americana, aqui no brasil acredito que o mais correto até fosse “jif”, pois o “G” não seguido de “ui” não teria o som de “Gui”, mas sinceramente o “Jif” me soa estranhamente… estranho.

Mas vamos lá, o criador do formato – Steve Wilhite, lá no início lembra? Ao ganhar um Webby Awards em 2012 declarou que a pronúncia certa era “Jif”, inclusive isso seria uma brincadeira com uma marca de manteiga de amendoim da época chamada Jif.

Jif!!!!

Bom, o pai da criança falou que é com som de “J” e não tem mais discussão certo? Errado, pois primeiro, ele criou a “jif” estática e não o formato animado dela, então tem muita gente que diz que o formato é o “Jif” enquanto a cultura que ela deu início lá em 95 a partir do Netscape se chama “Guif”. O que na realidade importa pouco quase nada pra entender que as gifs são muito legais e um formato muito prático para nos comunicarmos.

Uma curiosidade

Em 1988 foi criado o formato IFF ANIM que permitia justamente a compilação de algumas imagens para se formar uma sequência delas, da mesma forma que as gifs em 95, porém devido a diferenças técnicas e incompatibilidade de plataformas, esse formato foi criado para os computadores AMIGA, o IFF ANIM não teve tanto sucesso.

 

Segue abaixo algumas fontes que nos abasteceram para criar esse texto:

Welcome to the Next Golden Age of Animated GIFs
Meet the artists turning GIFs into legitimate careers
‘JIF’ Is the Format. ‘GIF’ Is the Culture
When GIFs become art: a trip to the Museum of the Moving Image

Estúdio Makako® 2015